Barragens Subterrâneas: uma solução viável para lidar com a seca no Norte de Minas

Sucesso no exterior e em alguns estados no Nordeste do Brasil, as chamadas Barragens Subterrâneas têm-se tornado uma das soluções de melhor custo-benefício para melhorar o convívio com a seca e estiagens prolongadas em regiões semiáridas. Apesar do clima semelhante ao da região Nordeste do país, no Norte de Minas esta tecnologia ainda é pouco conhecida e, portanto, subutilizada.

De fácil instalação e de baixíssimo custo, se comparado a represas de concreto ou poços artesianos, uma Barragem Subterrânea consiste na abertura de uma vala ao longo de uma área de pouco declive e de maior concentração do fluxo subterrâneo de água. A profundidade da vala depende do nível em que se alcança a rocha impermeável, mas em geral varia entre 3m e 8m, a depender da espessura do sedimento inconsolidado e também do comprimento do braço mecânico da máquina escavadeira. Quanto ao comprimento, o ideal é que a vala atinja as chamadas ombreiras (regiões mais elevadas do terreno), nos seus dois extremos. Em seguida, instala-se uma lona em uma das paredes da vala, que terá a função de provocar o barramento da água subterrânea, e depois fecha-se o conduto com a própria terra retirada cobrindo toda a lona. Por último, faz-se um poço, que pode ser de manilha ou de tijolos, a poucos metros do barramento, chamado de poço amazonas. Segundo fontes da EMBRAPA e do SENAR (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural), o custo total de instalação de uma barragem subterrânea varia entre R$1.500,00 e R$5.000,00, a depender da profundidade e do comprimento da vala.

Além da água que pode ser bombeada a partir do poço amazonas, em casos bem sucedidos, o armazenamento da água subterrânea na área de abrangência da barragem pode manter a solo úmido ao ponto de dispensar irrigação em boa parte do ano, já que as raízes do cultivo podem alcançar o nível d’água.

Como se vê, solução existe para melhorar o convívio com a seca no Norte de Minas, que é cada vez mais castigado por estiagens prolongadas. O que falta mesmo é conhecimento, atitude e boa vontade dos governantes em buscar alternativas viáveis, em vez de ficar o tempo todo reinventando a “dança da chuva”.