Qual a saída para tentarmos impulsionar a economia?

A análise do gráfico mostra claramente que o problema da construção civil está diretamente ligado ao crescimento do PIB como anotamos no gráfico abaixo. Essa seria uma das formas rápidas de impulsionar nossa economia. A questão é como fazer isso.

A recessão que se instalou fortemente no Brasil em 2014, sendo considerada a pior crise de retração da economia da nossa história, perdendo para as crises de 1929 e 1981 quando por fatores exógenos globais passamos por uma terrível recessão.

A construção civil é um dos maiores empregadores e com sua retração o número de desempregados aumenta colocando combustível no ciclo econômico perverso, a economia não cresce, cai a renda e aumenta o desemprego piorando cada vez mais as coisas.

A indústria da construção civil com sua rede agregada de serviços poderia empregar rápido parte dos 12 milhões de desempregados dando combustível para a retomada.

O Brasil tem um tremendo déficit fiscal, o que elimina o investimento em infraestrutura como podemos ver no gráfico seguinte, então a construção civil deve sobreviver forte no mercado imobiliário, que com a queda da renda e aumento do desemprego acelera os problemas.

Com relação a políticas macroeconômicas algumas medidas poderiam ser tomadas, algumas foram tomadas como a questão do Programa Minha Casa Minha Vida, que se não existisse poderia piorar ainda mais o cenário visto aqui.

Outras medidas poderiam ser tomadas, mas sempre é bom lembrar que em economia um caminho é sempre em detrimento de outro e nem sempre a medida agradará a todos os segmentos envolvidos como tentaremos mostrar abaixo:

1. Política Monetária: Poderia reduzir mais as taxas de juros (o que vem ocorrendo agora) que estimularia o consumo (crédito) e investimentos. Não só a redução da SELIC é suficiente porque devido ao cartel do sistema financeiro com praticamente 5 bancos, a redução dos juros não chega na cadeia produtiva por causa dos altos spreads e a redução da SELIC é quase paliativa. Os spreads são criminosos se consideramos a inflação de 3,5% a.a., é preciso uma ação rápida, não só para incentivar investimentos, mas para coibir esse abuso contra a sociedade, usura e agiotagem de um sistema cartelizado que suga nossa economia há muitos anos.

Com a queda dos juros haverá impacto nas pessoas que m o rentismo como opção de poupança e investimento, devendo haver uma boa migração para a área imobiliária. Outra medida para dar mais liquidez no mercado poderia ser a redução dos depósitos compulsórios dos bancos ainda mais, foi de 40% para 25% em 2018, mas ainda não surtiu efeito.

Essa medida não agrada os economistas mais ortodoxos porque o fantasma da inflação pode voltar. Considerando que temos grande capacidade ociosa do setor produtivo como um todo e desemprego muito alto, essa medida poderia ser adotada, mas precisaria ser administrada mais adiante.

2. Política Fiscal – A reforma tributária seria uma excelente medida e está sendo discutida agora. Aumentar a produtividade e reduzir preços finais poderia ser uma forma de dar gás no mercado imobiliário. A questão é o déficit fiscal que não permite uma desoneração por parte do governo, mas algo poderia ser pensado nessa direção considerando que o segmento da construção civil tem grande relevância na geração de emprego e renda.

3. Política cambial – Talvez a menor raia de ação para estimular esse importante mercado, mas algumas medidas como estímulos a importação (valorização da moeda) poderiam teoricamente funcionar. A questão é que essa medida pode impactar as exportações que são hoje nosso pilar de sustentação da economia tão arrasada. Além de pouco impacto que a importação de insumos para construção deve trazer ao segmento, os custos e afetação de outras áreas seriam muito fortes.

4. Incentivos e programas de governo - A CEF vai lançar algumas opções de financiamento devem impulsionar a indústria da construção civil.

Esse gráfico nos mostra que as obras de infraestrutura poderiam ajudar muito a empurra para cima nosso PIB. Apesar de algumas correntes favoráveis a usar dinheiro público para alavanca do investimento público, com déficit fiscal na ordem de R$ 140 bilhões (previstos para 2019) seria praticamente impossível usar esse dinheiro sob pena de agravarmos nosso problema adiante.

A busca de investimentos privados, principalmente externos, pode ser uma solução, mas demanda segurança jurídica e confiança no governo e o Brasil ainda navega em águas turvas nesses dois quesitos, mas com tendência a melhorar. Os indicadores têm sinalização positiva, ainda longe do ideal, mas com viés de alta que pode melhorar a confiança. A questão de insegurança jurídica é nosso maior gargalo e os últimos movimentos do STF aumentam a celeuma. As privatizações e as concessões de serviços públicos podem ajudar o segmento e o crescimento do PIB consequentemente, mas sem confiança e sem quebrar a insegurança jurídica reinante, ainda andaremos em passos curtos.

Ainda é nítida a importância do segmento da construção de prédios e edifícios residenciais e comerciais, ainda com uma grande gama de serviços agregados se constituindo em um segmento que deve ser olhado com foco se nosso desafio é crescer a economia.

O ciclo virtuoso da economia passa pelo fortalecimento do setor de construção civil, a retomada da máquina reduziria o desemprego, gerando e melhorando a renda e ativando o consumo em geral, que beneficiaria todos os segmentos.

Precisamos sair do raquitismo econômico que vivemos há muito tempo, conforme ilustra o gráfico abaixo onde comparamos o PIB de MG, com o do Brasil e do mundo. Estamos ficando para trás do mundo e perdendo algumas vantagens que tínhamos como o bônus geográfico.

Não precisamos comentar que estamos na contramão do mundo.