Em defesa da corrupção

Notícias a respeito de agentes públicos que desviam verbas para o próprio bolso normalmente causam um sentimento de raiva e repulsa entre as pessoas decentes. Nada mais natural, afinal quem ganha a vida honestamente não deve mesmo ficar feliz com pessoas levando uma vida de luxo através do crime. Porém se ignorarmos as travas morais que nos impelem a repudiar a corrupção é possível compreender a existência de consequências positivas desse fenômeno tão repudiado em nossa sociedade.

Primeiro precisamos entender que o dinheiro que é roubado pelos políticos vem dos impostos cobrados sobre a população, principalmente a parcela mais pobre, que no Brasil paga mais impostos devido à incidência maior de tributos sobre consumo. Sobre os impostos é necessário salientar que ao ser cobrados eles geram uma perda de eficiência na economia e a exclusão dos chamados produtores e consumidores marginais, que são os agentes mais sujeitos a sofrer com mudanças nos preços. No gráfico a seguir a área amarela representa a perda de bem-estar que ocorre devido à cobrança de impostos, observe que a incidência de tributos desloca o ponto de equilíbrio entre as curvas de oferta e demanda para a esquerda excluindo do mercado os agentes mais vulneráveis a mudanças de preço, tal fenômeno ocorre devido à elasticidade das curvas de oferta e demanda.

É conveniente explicar que elasticidade é um fenômeno que ocorre devido à vulnerabilidade dos agentes de um mercado a mudanças de preço. Para exemplificar, a demanda de um doente por um remédio que possa salvar sua vida é quase inelástica, visto que ele precisando daquilo para viver ele pagará quase qualquer preço, assim a curva de demanda desse cliente tem um ângulo próximo de 90 graus de modo que mesmo com um aumento do preço a quantidade consumida permanece quase constante. Em um caso como esse quando o governo aumenta o preço por meio do imposto o fornecedor do medicamento pode repassar o aumento quase integralmente para o cliente, prejudicando assim os mais pobres.

Apos os danos a economia serem causados como exposto anteriormente, reduzindo o bem-estar de consumidores e empreendedores, o dinheiro recolhido vai para as mãos dos políticos. Com o dinheiro arrecadado o estado faz uma infinidade de coisas, sendo uma maioria delas contrária aos interesses dos pagadores de impostos. Obras faraônicas para gerar empregos como os estádios para a Copa do Mundo, subsídios a atores ineficiente na economia, criação de bolhas e impulsionamento de investimentos errados são algumas das coisas que o estado faz com o dinheiro arrecadado. Assim são geradas distorções crises e danos imensos a economia nacional.

Além das distorções o estado também faz políticas assistencialistas que são ineficientes, visto que o pobre é tributado em quase 60% ao consumir e depois recebe uma fração disso como auxílio social, e por ignorância ainda se acha beneficiado pelo governo. É possível ainda citar os prejuízos causados pela atuação estatal na área da saúde, da educação e em muitas outras nas quais a presença do estado gera distorções e malefícios.

Quando um político rouba dos cofres públicos ele retira recursos do mecanismo nefasto de distorções estatal, e usa o dinheiro para satisfazer suas próprias ambições. Os corruptos gastam parte daquilo que roubam com carros de luxo, mansões, vinhos caros e joias para suas esposas, e outra parte considerável vai para financiar os esquemas de corrupção ou ser usado em caixa II de campanhas eleitorais.

O dinheiro roubado que é mandado para o próprio esquema de corrupção pode ser considerado uma perda, visto que vai continuar sendo desperdiçado dentro da máquina pública. Mas o dinheiro gasto em carros, mansões e joias acaba voltando para a economia e para as mãos de empreendedores honestos e trabalhadores de bem. Claro que a distorção causada pelos impostos inicialmente não é anulada dessa forma, e os problemas relativos ao desvio de recursos de uma área para outra persistem. Entretanto a situação em que o dinheiro volta a circular entre as pessoas comuns e não entre burocratas e planejadores centrais.

Uma mansão como essa da foto precisa de faxineiros, cozinheiros e jardineiros para ser mantida, e muitos pedreiros, arquitetos e engenheiros para ser construída. O dinheiro gasto com uma mansão dessas volta a circular na economia gerando prosperidade em vez de ser gasto em algum empreendimento megalomaníaco de burocratas que vai apenas beneficiar empreiteiras que tenham conchavos com o estado. E ao contrário dos estádios da Copa uma mansão construída por um corrupto não gera prejuízos bilionários para os cofres públicos no longo prazo.

Os argumentos a favor do crime são coerentes, entretanto é preciso entender a diferença entre o estado e uma empresa normal. Quando uma empresa tem uma queda no faturamento devido a qualquer eventualidade ela reduz seus custos, vende ativos, demite funcionários e trabalha para continuar operando no azul. Já quando o faturamento do estado cai a opção de demitir funcionários é inexistente devido à estabilidade, a venda de ativos é extremamente difícil e o orçamento engessado não permite o corte de gastos, de modo que o estado ou aumenta impostos para suprir o deficit ou emite moeda para custear seus gastos.

Tanto o aumento de impostos quanto a inflação causada pela emissão de moeda são maléficos a população e no longo prazo causam crises, por isso mesmo que sejam descartadas as considerações morais a corrupção não pode ser vista como um fenômeno positivo. Claro que existem exceções em que o desvio de verba é extremamente positivo, afinal que benção seria se algum membro do governo nazista houvesse desviado as verbas destinadas a construção dos campos de concentração para o divertimento com mulheres e bebidas.