Considerações sobre os partidos e o custo de campanha

Um dos grandes problemas do sistema eleitoral brasileiro é o preço elevado das campanhas e a forma como essa necessidade de recursos atrai investimentos de agentes interessados em adquirir influência sobre a máquina pública. Tráfico de influência, caixa II, superfaturamento de gastos e etc são algumas das consequências familiares dessa dinâmica.

Entre os fatores que elevam o custo das campanhas no Brasil a falta de identificação dos partidos com o eleitorado é um dos mais relevantes pois isso faz com que os candidatos precisem gastar muito com marketing pessoal. Existem 35 partidos registrados no Brasil e pouca serventia eles tem para realmente representar as demandas e anseios de seus eleitores, enquanto são usados por seus donos como moeda de troca em negociatas por tempo de TV, coligações e etc.

É interessante também observar que alguns partidos que apresentam posições ideologicamente mais claras durante a disputa pela Presidência da República abandonam essas posições em disputas por prefeituras do interior e em pleitos menores em geral. Não é um fenômeno incongruente ou difícil de explicar, afinal para alguns partidos como o PT e o PSDB a criação de um antagonismo ideológico era útil na disputa pela presidência mas teria pouca utilidade nas eleições municipais de Rio Pomba onde disputas de poder locais se sobrepõem a contradição entre esquerda e direita.

Entre os 35 partidos que atuam no cenário político nacional ainda são poucos aqueles que tentam representar alguma ideologia, podemos citar nessa lista PSOL, NOVO, PT, PSL e alguns outros. Já a grande maioria dos partidos nem tenta representar alguma vertente ideológica, ou alguém é capaz de dizer quais pensamentos partidos como PMN, DC, PRTB, PP, PTB, PMB e PDT defendem?

No Brasil ser dono de um partido é um excelente empreendimento, pois por menor que seja o partido seu tempo de TV pode ser vendido por valores milionários e além disso existe o fundo partidário que transfere dinheiro dos pagadores de impostos para os donos dos 35 partidos. Nessa situação os incentivos para que os caciques desses partidos se engajem em negociatas são muito maiores que os incentivos para que os partidos representem a população de alguma maneira.

Para solucionar tais problemas é necessário acabar com os incentivos perversos que existem no sistema, algumas pessoas sugerem a adoção de um sistema de lista fechada para reduzir os custos das eleições, entretanto qualquer pessoa sensata consegue perceber os problemas que existem em colocar na mão dos caciques o poder de decidir quem vai ocupar as cadeiras conquistadas pelo partido, as consequências não tem o potencial de ser muito boas.

O sistema em que partidos funcionam como empreendimentos particulares só tem sucesso pois existe uma transferência de renda forçada dos cidadãos para os partidos, seja através do fundo partidário, do fundo eleitoral ou do tempo de TV. Finalizada essa transferência forçada restara aos partidos apenas a opção de representarem seus eleitores.

Os partidos representam os anseios de grupos de interesse, minorias organizadas e grupos ideológicos, de modo que nada é mais sensato que a luta por tais anseios seja custeada pelos interessados nela e não pelos pagadores de impostos que nada tem de afinidade com certas pautas.