A PROSTITUIÇÃO DO VOTO NOS "CABARÉS" DO BRASIL

Há tempos me pergunto quanto tempo a sociedade levaria para alcançar um nível de maturidade cívica a ponto de priorizar seu voto em favor da coletividade em detrimento da individualidade. Fato é que nos vemos inseridos em um círculo mercantilista vicioso de compra e venda de votos. Isso se torna, por analogia, um verdadeiro "cabaré" institucionalizado onde os atores envolvidos mantém o sistema muito bem engrenado e de difícil reversão.

De um lado os maus políticos (ou os que almejam ser) que são os clientes mantenedores do prostíbulo. Do outro os prostitutos de parte da sociedade que oferecem "seu produto" por dinheiro ou benesses. Isso quando em muitas vezes entra em cena também a figura do "cafetão" disfarçado de liderança política para intermediar o negócio e fechar com "quem dá mais".

A doação direta de dinheiro e cestas básicas; a prática comum de oferecimento de cargos e secretarias; de contratos com as prefeituras; de promessas de aluguel de imóveis e veículos; dentre várias outras artimanhas são apenas alguns exemplos para ilustrar a moeda de troca vigente nas "night clubs" instituídas em todos os municípios e que geram um claro conflito de interesses que comprometem o interesse público.

O que mais chama a atenção aqui é o desejo de todos nós de acabarmos com essas "casas das primas", mas ao mesmo tempo ver muitos que desejam combatê-las serem os primeiros corrompidos quando alguma das benesses acima mencionadas lhes é oferecida. E aquele dono do "cabaré" de hoje, torna-se um potencial político amanhã. Em suma, o vendedor torna-se comprador e o comprador pode voltar a ser vendedor e, com isso, o círculo vicioso do comércio do voto vai sendo retroalimentado.